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Bancos
de dados em APS
- Leonardo Cançado
Monteiro Savassi
- Coleções
organizadas de registros de computador, unificadas em formato e conteúdo
que são armazenadas em qualquer de uma variedade de modos legíveis por
computador. Eles são grupos básicos de dados dos quais são criados
arquivos legíveis por computador
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- Bancos de dados, (ou bases de dados), são conjuntos de dados com uma
estrutura regular que organizam informação normalmente com um mesmo fim
(WIKIPEDIA, 2006). O termo “banco de dados”, criado pela comunidade de
computação para indicar coleções organizadas de dados armazenados em
computadores digitais, é usado hoje para indicar tanto bancos digitais como
em outro formato. Aceitando uma
abordagem mais técnica, um banco de dados é uma coleção de registros
salvos em um computador de modo sistemático, para que um programa de
computador possa consultá-lo para responder questões.
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- Bancos de dados de indicadores de saúde: sistemas de
informação
- São conjuntos de dados relacionados à área da saúde,
geralmente agrupados em categorias temáticas que organizam informações de
uma população adscrita, pacientes, doenças, atendimentos, financiamentos,
instituições e/ou eventos. O termo “Sistema de informação” (SI) é
definido como grupo integrado de arquivos, procedimentos e equipamentos para o
armazenamento, manipulação e recuperação de informações. É utilizado
em Saúde Pública para definir toda a rede de produção, registro, análise,
interpretação e retroalimentação de dados que possibilitem a tomada de
decisões.
- Um sistema de informação
contém um conjunto de variáveis integradas e articuladas entre si, obtendo
e selecionando dados para transforma-los em informação. (TEIXEIRA,
FS & Cols) A importância de todo este sistema está na informação
gerada para a saúde, orientando a análise o planejamento e a gestão. Ou
seja, na informação gerada para a ação. Para se ter uma ação eficaz, a
primeira condição é que se tenha uma informação confiável. A
qualidade da informação depende da coleta adequada, da correta estruturação
e da correta interpretação (fidedignidade) dos dados. Especialmente quanto
ao Sistema de Notificação de Agravos, a fidedignidade do dado tem especial
importância, visto que mais do que a simples coleta, é necessários a
interpretação e diagnóstico do caso. A ação depende ainda da agilidade
das diversas etapas que se interpõem entre a coleta e a ação.
- Os bancos de dados (ou sistemas de informação) utilizados em APS no Brasil
são:
- a)
SIABS (SI da Atenção Básica), HiperDia
(Acompanhamento de Hipertensos de Diabéticos) e SISPrena (Acompanhamento do
pré-natal, parto e puerpério), SIPACS (SI do Programa de Agentes Comunitários
de Saúde), SISVAN (SI Vigilância Alimentar e Nutricional), SI-PNI (Progama
Nacional de Imunizações), que são bases de dados utilizados no cotidiano
das unidades de saúde da família (USF);
- b)
SIM (SI sobre Mortalidade), Sinasc (SI sobre Nascidos Vivos), SIA/SUS
(atendimentos ambulatoriais pagos pelo SUS), Sinan (SI de Agravos Notificáveis),
com dados colhidos no nível local, embora não necessariamente na USF.
- Além destas, outras bases de dados em saúde são importantes para a prática
da APS, tais como dados demográficos do IBGE, do SIH/SUS (SI sobre internações
hospitalares), ou informações de conselhos de classes profissionais (CRM,
COREN, etc.).
- A municipalização da saúde pelo SUS descentralizou a Vigilância
Epidemiológica e Sanitária, dotando os sistemas municipais de vigilância
de autonomia para enfocar os problemas de saúde próprios de sua área de
abrangência. Com isto, a vigilância local está responsável, além da
coleta, processamento e análise dos dados coletados, pela interpretação
dos dados processados e pela ação no nível local.
- A partir dos dados coletados nos principais bancos é possível também
estudar e planejar ações no nível local pela própria equipe de saúde da
família. Nas ultimas edições dos Congressos Brasileiro e Mineiro de
Medicina de Família e Comunidade, há vários trabalhos sobre o uso de
bancos de dados pelos profissionais da USF. A título de exemplo, pode-se
utilizar dados do SIABs para planejamento e gestão da equipe, como na
estratificação do risco familiar e priorização de visitas domiciliares,
para reorganização da agenda e da demanda, para mapeamento da população
adscrita e mesmo na avaliação da atenção; hiperdia para a estratificação
de risco dos pacientes cadastrados; dados do PNI para o planejamento da
vacinação ao idoso; dados do Sinasc para monitoriazação da atenção ao
binômio mãe-filho; dados do SIM e SIH/SUS para avaliar a qualidade da atenção
primária. As referencias para estes trabalhos estarão disponíveis no site
da AMMFC.
- Igualmente importante em todo o processo, a retroalimentação das fontes de
dados locais é componente essencial de todo o sistema de informações,
pois além de ser o local da ação, é também através da retroalimentação
que o serviço poderá acompanhar o produto de seu trabalho de maneira
integral e aperfeiçar suas demais ações. Além de boletins, circulares,
artigos, contatos diretos e visitas de supervisão, todos com o intuito de
informar o nível local, há ainda o DATASUS
(www.datasus.gov.br), website de acesso a maioria dos dados sobre saúde no formato de banco de
dados. Nele pode-se acessar uma série de indicadores da saúde no nível
municipal e estadual e coletar importantes informações a respeito de
cobertura, mortalidade, notificação de agravos, controle de endemias e
epidemias, dentre outros.
- LIMA e cols (2006) analisaram a confiabilidade dos bancos de dados nacionais
sob a ótica do financiamento, comparando dados do SIOPS (Sistema de Informação
em Orçamento Público em Saúde) com os registros do Fundo Nacional de Saúde,
e concluíram que a qualidade dos dados dos bancos vem aumentando, sugerindo
mais confiabilidade. Um dos motivos, segundo os autores, é a maior preocupação
com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Por outro lado, o Relatório de Situação
do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde (MS 2005) aponta que Minas
Gerais apresenta coberturas insuficientes para o SIM e o Sinasc, sendo
necessário complementar com dados do IBGE. Além disso, o percentual de óbitos
por causas mal definidas do SIM em Minas é de 13%, considerado alto.
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- Bancos
de dados científicos em atenção primária:
- O banco de dados científicos mais utilizado em saúde e medicina, e talvez
o mais abrangente, é o Medline. Congrega títulos e resumos de artigos de
cerca de 33.069 revistas mundiais, algumas delas brasileiras. A utilização
deste banco de dados para a busca de informação em atenção primária
requer o conhecimento mínimo de Medicina Baseada em Evidências e níveis
de evidência para limitar o tamanho da pesquisa e direcionar a busca para
artigos de maior qualidade. Outra fonte importante de dados baseados em evidências
é a biblioteca Cochrane, disponível via Bireme/BVS, que dá acesso a
estudos de nível I (metaanálises) sobre vários tópicos de interesse.
- Outros locais funcionam como repositórios (depósitos) de informações e
artigos em saúde, sob a ótica do movimento Open Access. Como
exemplos há o PubMed Central e o BioMed
Central, que disponibilizam artigos
livre acesso para os internautas.
- Bancos de dados de artigos e informação científica em língua
portuguesa estão disponíveis na base da dados da Bireme/BVS, e sob a
metodologia Scielo. Outras fontes importantes de dados científicos no
Brasil, com níveis variáveis de evidencia, são os sites do Ministério da
Saúde, da Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, e das Sociedades
Científicas.
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- Referencias
- 1. Wikipedia. Banco de dados
[http://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_De_Dados] acesso em 21 ago 2006.
- 2. COSEMSMG; UFMG. Curso de capacitação para gestores e técnicos
municipais de saúde em sistemas de informação e vigilância a saúde.
COSEMSMG: Abril de 2002.
- 3.
LIMA, CAR; CARVALHO, MS, SCHRAMM, JMA. Financiamento público em saúde e
confiabilidade dos bancos de dados nacionais. Um
estudo dos anos de 2001 e 2002. Cad.
Saúde Pública.
22(9):1855-1864. Rio de Janeiro: setembro de 2006
- 4. BRASIL, MS. Secretaria de Vigilância em Saúde. Sistema
Nacional de Vigilância em Saúde: relatório de situação: Minas Gerais.
MS, SVS. Brasília: MS, 2005.
- 5. Anais do VI Congresso Brasileiro de Medicina de Família
e Comunidade. Rio de Janeiro: 2004.
- 6. Anais do VII Congresso Brasileiro de Medicina de Família
e Comunidade. Belo Horizonte: 2005.
- 7. Anais do VIII Congresso Brasileiro de Medicina de Família
e Comunidade. São Paulo: 2006.
- 8. TEIXEIRA, FS & Cols. Sistemas de informações:
ferramenta no planejamento de ações em saúde na CASSIRJ. Anais do
VII Congresso Brasileiro de MFC. AMMFC, SBMFC: 2005.
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- O
Dr. Leonardo Cançado Monteiro Savassi é especialista em saúde da família
pelo MEC/UFMG/ESP-MG/Veredas, especialista em pediatria pelo MEC/HBH,
ex-diretor de informática da SBMFC na gestão 2004-2006 e presidente da
AMMFC gestão 2005-2007.
Associação Mineira de
Medicina de Família e Comunidade
Av. João Pinheiro 161,
Centro, Belo Horizonte, MG. CEP 30130-180
Telefone (31) 3247-1619.
Fax (31) 3247-1632
Anexo:
Referências
de trabalhos científicos que utilizaram os bancos de dados e sistemas de
informação em saúde:
- Trabalhos
publicados no VII Congreso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidadee
II Congresso Mineiro de MFC, Belo Horizonte, 2005
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- ESTUDO
DA MORTALIDADE INFANTIL NO MUNICÍPIO DE VESPASIANO MG - ANÁLISE
DOS ANOS DE 1993 A 2002
- Autores:
GUILHERME HORTA DE OLIVEIRA;José Antônio Ferreira G.; Hérica S. Albano; Aristides
José Vieira
- Instituição:
FASEH-Faculdade da Saúde e Ecologia Humana
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- A
FAMÍLIA DE RISCO NO PSF - UMA QUESTÃO NÃO RESOLVIDA
- Autores:
FREDERICO GRIZZI DE CAMPOS; Catarina Benedita Paiffer; Hilton de Castro
Albano;
Tânia Ruiz
- Instituição:
UNESP - Universidade Estadual Paulista
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- Perfil
dos pacientes com doenca de chagas atendidos numa unidade basica saude
- Autores:
FABIOLA ADRIANE SOUSA OLIVEIRA, Geraldo Vitor Cardoso Bicalho, Lucidio
Duarte
de Souza Filho, Marcelo Jose da Silva,Zenilton Charles Gomes Filho
- Instituição:
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS
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- CADASTRO
FAMILIAR AMPLIADO: FERRAMENTA PARA PLANEJAMENTO DAS AÇÕES EM APS
- Autores:
MARCELLO REBELLO LIGNANI SIQUEIRA
- Instituição:
Res Med de Fam e Com/Disc de Med Integral UERJ
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IMPLANTAÇÃO DA USF GREEN VALLEY – RESULTADOS EM 2 ANOS DE TRABALHO
- Autores:
FREDERICO GRIZZI DE CAMPOS, Justina Inês Bulla Gomes, Darlene de Campos
Silva
Teles, Vanessa da Silva Gambacorta
- Instituição:
USF Green Valley - Votorantim/SP
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- MONITORAMENTO
DA SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: A CONSTRUÇÃO DE
UM INSTRUMENTO
- Autores:
ARNALDO ALMEIDA RODRIGUES JÚNIOR; Rogério Soares Silva
- Instituição:
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS - UNIMONTES
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- SISTEMAS
DE INFORMAÇÕES: FERRAMENTA NO PLANEJAMENTO DE AÇÕES EM SAÚDE NA CASSIRJ
- Autores:
FABIANE DOS SANTOS TEIXEIRA; Emília Carvalho Leitão Biato; Suely Cherene
Barros; Márcia Cristina Chagas Macedo Pinheiro; Gerson Sant´anna Braga
- Instituição:
CASSI RJ
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- Estratificação
de risco em cadastrados no HIPERDIA
- Autores:
MARCELLO DALA BERNARDINA DALLA, Milton Nunes De Moraes Filho, Rafael
Lopes
Busatto, Rafael Ricardo Barcelos Passos, Reinaldo Rodrigues Pamplona
- Instituição:
EMESCAM / PMV - SEMUS
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- Índice
de massa corporal (IMC) em cadastrados no HIPERDIA.
- Autores:
MARCELLO DALA BERNARDINA DALLA, Tatiana Stefenoni Kruger, Viviane Bernabé
Cardoso
- Instituição:
EMESCAM / PMV - SEMUS
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- ESTUDO
DA MORTALIDADE GERAL NA POPULAÇÃO NO PSF/50 BALNÉARIO – CONTAGEM/ MG
- Autores:
LUZ MARINA DE ALMEIDA BOTELHO; Loyde Ferreira Viana
- Instituição:
PREFEITURA MUNICIPAL DE CONTAGEM - FAMUC
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- SISTEMA
DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA NO ACOMPANHAMENTO DAS FAMÍLIAS EM
ÁREAS DE RISCO
- Autores:
Daniela de Almeida Ochoa Cruz
- Instituição:
Prefeitura Municipal de Belo Horizonte - PBH